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Fundador da Hi-Technologies, ele desafia os laboratórios tradicionais ao usar a tecnologia para baratear e popularizar os exames clínicos.

Marcus Figueredo não tem nenhum jaleco branco em seu guarda roupa. Tampouco atende pacientes, faz diagnósticos ou prescreve medicamentos. Mas, aos 33 anos, ele tem em mãos uma receita que pode revolucionar a área de saúde. O engenheiro da computação é o CEO, e cofundador da Hi-Technologies, que criou um laboratório móvel para exames como dengue, zika e HIV.

Batizada de Hilab, a solução coleta até três gotas de sangue, que são misturadas em uma cápsula com um reagente químico . Um aparelho portátil transmite o material digitalizado, via internet, a um laboratório central. Em questão de minutos, um laudo de especialistas é enviado ao Hilab. O equipamento é gratuito para hospitais e clínicas, que pagam apenas por cada exame emitido.

O modelo também reduz o preço dos exames, ao eliminar custos como logística. “Hoje, um exame de detecção da superbactéria KPC em um laboratório tradicional custa de R$ 600 a R$ 1 mil”, diz Figueredo. “No nosso modelo, ele sai por R$ 100.” Chegar a essa equação, no entanto, não foi fácil. Fundada em 2004 por Figueredo e quatro colegas da PUC-PR, a Hi-Technologies, nos dois anos seguintes, não vendeu uma única licença do seu software de monitoramento remoto de pacientes. O diagnóstico era claro. Os clientes relutavam em fechar negócio com jovens recém-formados.

A barreira começou a ser superada com um pequeno hospital de Curitiba. A venda do software trouxe um elemento essencial ao negócio. Um dia, conversando com uma das médicas da instituição, Figueredo descobriu que o sistema ajudou a salvar a vida de um paciente que estava tendo um ataque cardíaco. “Foi quando percebemos que não se tratava apenas de conectar equipamentos”, diz.

A empresa passou a desenvolver dispositivos como o Milli, que monitora os sinais vitais do paciente, tem acesso à internet e permite a comunicação com médicos e familiares. O aparelho portátil é usado por 150 clientes no Brasil, além de ser exportado para quinze países. O portfólio chamou a atenção da Positivo, que comprou 50% da operação, em 2011. No ano passado, a Hi-Technologies foi destaque em um relatório da Organização das Nações Unidas sobre as tecnologias que estão mudando o mundo.

Para 2018, a meta é fornecer 10 mil Hilabs e realizar 500 mil exames mensais no Brasil, além de levar o serviço para a América Latina e a África. O foco também inclui a oferta de mais exames ligados a doenças infecciosas, crônicas, pré-natal e mortalidade infantil. Outro plano é abrir operações na Europa e nos Estados Unidos. “Estamos numa cruzada para democratizar o acesso à medicina diagnóstica”, diz Figueredo. “Vamos fazer a nossa parte para transformar esse modelo em uma realidade global.”

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